Obra de esgotamento inacabada agrava alagamentos e provoca caos urbano em Santa Maria Madalena
Por: Nestor Lopes.
As fortes chuvas que têm atingido a região nos últimos dias voltaram a expor um grave problema urbano enfrentado por moradores do centro da cidade e de bairros como o Parque Itaporanga: alagamentos constantes, ruas intransitáveis e prejuízos a residências e estabelecimentos comerciais. Embora os temporais sejam intensos, moradores e comerciantes apontam que a situação se agravou drasticamente após o início de uma obra de esgotamento sanitário que permanece inconclusa.
A obra, iniciada em 14 de agosto de 2023, tinha como objetivo implantar um novo sistema de esgotamento sanitário em Santa Maria Madalena, incluindo o bairro Parque Itaporanga. Orçada em mais de R$ 15 milhões, a intervenção previa conclusão em 14 de agosto de 2024. No entanto, passados dois anos e quatro meses, o projeto não foi finalizado e, segundo relatos, não trouxe benefícios práticos à população.
Durante a execução dos serviços, escavações realizadas nas ruas acabaram por destruir antigas galerias de pedra, construídas ainda na época áurea do café. Essas galerias, algumas com dimensões que permitiam uma pessoa em pé em seu interior, integravam um sistema histórico de drenagem pluvial e esgotamento da cidade. Com a destruição dessas estruturas, Santa Maria Madalena perdeu parte significativa de sua capacidade de escoamento das águas.
O problema se intensifica porque cerca de 90% das residências despejam o esgoto sanitário nessas mesmas galerias pluviais. A nova tubulação instalada, segundo moradores, possui diâmetro insuficiente para suportar a vazão conjunta do esgoto e da água da chuva. O resultado tem sido o retorno da água pelos ralos, pias e vasos sanitários de casas e comércios, além de bocas de lobo rompidas e ruas completamente esburacadas.
Sem a conclusão do sistema prometido — que incluiria tratamento adequado dos efluentes — parte do esgoto continua sendo lançada diretamente no rio. Em alguns pontos, a solução adotada foi reconectar a antiga rede, justamente aquela que havia sido danificada durante as obras, agravando ainda mais o cenário urbano e ambiental.
As consequências são visíveis: alagamentos frequentes, veículos impossibilitados de trafegar, água invadindo lojas e residências e prejuízos constantes à população. Ruas no bairro Parque Itaporanga e no centro da cidade, permanecem tomadas por buracos e apresentam risco para motoristas e pedestres.
Outro ponto que gera indignação é a ausência de esclarecimentos por parte do Poder Executivo municipal. Até o momento, o prefeito não veio a público explicar os motivos da paralisação da obra, nem prestar contas sobre a aplicação dos recursos públicos. Moradores cobram transparência e respeito, destacando que se trata de dinheiro público e de uma intervenção que afeta diretamente a vida da população.
“A cidade ficou apenas com o ônus: buracos, alagamentos e transtornos. O benefício prometido não veio”, relatam moradores. Para eles, mesmo que o prefeito não se manifeste pessoalmente, é fundamental que a Prefeitura apresente explicações oficiais, esclareça responsabilidades e informe quais medidas serão adotadas para resolver o problema.
Enquanto isso não ocorre, Santa Maria Madalena convive com um cenário de caos urbano, em que cada nova chuva reacende o medo de alagamentos e prejuízos, deixando como herança de uma obra milionária apenas danos, transtornos e incertezas para a população magdalenense.

